O que é a síndrome do odor de peixe? Conheça a trimetilaminúria

Os portadores dessa rara doença exalam um odor similar ao de peixe ou lixo por meio do suor ou pela respiração, o que causa imenso sofrimento

Você já se perguntou o que causa aquele cheiro típico do setor de pescados no supermercado? A responsável por esse “perfume” é a trimetilamina (ou TMA), substância presente em alimentos com colina — uma vitamina do complexo B — , como ovos, crustáceos, vegetais e, claro, peixes. Quando a gente come algum desses alimentos, o intestino absorve a TMA e, no fígado, ela é convertida em óxido de trimetilamina (TMAO), que, por ser solúvel em água, é eliminado na urina. Porém, algumas pessoas têm uma desordem metabólica que as impede de realizar esse processo.

Nessas situações, a TMA é liberada por meio do suor e da respiração, fazendo com que o indivíduo exale o mesmo aroma dos animais aquáticos. Essa rara condição é chamada de trimetilaminúria, mais conhecida como síndrome do odor de peixe.

Apesar de a doença não trazer nenhum risco direto à saúde, os portadores acabam sofrendo bastante preconceito, já que falta conhecimento sobre a condição. Ela é relacionada a isolamento social, depressão e suicídio.

Para entender melhor esse problema, SAÚDE conversou com o químico especialista em odores humanos George Preti, do Monell Chemical Senses Center, nos Estados Unidos.

O que causa a trimetilaminúria

Ela tem duas origens. A mais comum é uma falha no gene flavina-monooxigenase 3 (FMO3), presente na enzima que transforma a TMA em TMAO.

A outra forma de desenvolver a síndrome é sofrendo um desequilíbrio na microbiota intestinal ou alterações hormonais. Essas condições também afetam a metabolização da TMA.

Quais são seus sintomas

Nos quadros brandos, George Preti conta que os pacientes exalam um cheiro sutil de peixe ou lixo que pode ser sentido apenas por quem estiver muito perto.

“Geralmente, ele emana da pele da parte superior do corpo e das mãos e, em alguns casos, da respiração”, afirma Preti. Já nos severos, se produz um odor forte e desagradável de peixe podre.

Mas os portadores não ficam com essa fragrância o tempo todo. “A prevalência é maior de 12 a 24 horas após o consumo de alimentos ricos em colina”, relata o químico.

A boa notícia é que, além de ser rara — atinge uma pessoa em cada 200 mil —, a maior parte dos casos é leve.

Por Maria Tereza Santos

Fonte : Saude Abril