Após cirurgia nos EUA, menina Júlia seus primeiros passos.

BRASIL - "Pode esticar as pernas, filha. Vamos lá. Estica as perninhas e anda para o papai ficar feliz". Foi após o pedido ansioso do pai que a menina Júlia Marchetti Ferraz, 5, ficou em pé pela primeira vez e deu seus primeiros passos no hospital americano em que está em tratamento, após ter sido submetida a uma cirurgia, na última sexta-feira (6).

Júlia, de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), não movimenta as pernas devido a uma paralisia cerebral. A família da criança enfrentou uma desgastante briga judicial entre o final do ano passado e janeiro para que União arcasse com os custos da operação, feita apenas nos Estados Unidos, para que ela pudesse movimentar as pernas.

Nesta segunda-feira (9), durante uma sessão de fisioterapia, Júlia andou pela primeira vez com o auxílio de sua mãe e uma profissional do hospital. A cena foi gravada pelo pai, o analista de sistemas Alexandre Ferraz, 42, horas antes dele embarcar de volta ao Brasil.

"Ela ficou em pé e teve força nas pernas apenas quatro dias após a cirurgia. Aguardávamos por este momento há anos", disse Ferraz, à Folha.

A menina, segundo ele, está vibrando de alegria. Principalmente depois de ter conseguido rolar sozinha na cama, pela primeira vez. "A Júlia não parava de rir quando percebeu que conseguia ter força para se movimentar sozinha na cama do hospital", disse Ferraz.

Segundo ele, os médicos do Saint Louis Children`s Hospital que acompanharam a menina afirmaram à família que a recuperação de Júlia foi rápida e a previsão é de que ela tenha alta da internação nesta quarta-feira (11). Depois, deverá permanecer nos EUA por mais 30 dias, para intensos tratamentos de fisioterapia. O objetivo , segundo o pai, é que ela ganhe força muscular nas pernas e consiga caminhar sozinha.

CASO

O TRF (Tribunal Regional Federal) determinou que a União pagasse pela cirurgia de Júlia, de US$ 44,2 mil (cerca de R$ 115 mil), no último dia 22 de janeiro.

A família procurou a Justiça porque a cirurgia não é oferecida no país, de acordo com a Justiça Federal. Durante o processo judicial, Júlia quase teve a cirurgia cancelada pelo hospital, que prorrogou a data de pagamento por duas vezes, porque a União recorreu de todas as decisões favoráveis à criança.