HPN

A HPN é resultado da expansão clonal, na medula óssea, de células-tronco hematopoiéticas que apresentam mutações somáticas

Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN) é uma doença rara, potencialmente fatal, progressivamente debilitante e caracterizada pela hemólise crônica e descontrolada e pela ativação plaquetária, mediadas pelo complemento. Estes eventos estão associados a um risco significativo de mortalidade precoce, trombose fatal e baixa qualidade de vida. 35% dos pacientes com HPN morriam em 5 anos do diagnóstico, mesmo quando recebendo medidas de suporte ótimas, sendo a trombose a principal causa de morte. Outras complicações graves e potencialmente fatais da doença incluem doença renal crônica, hipertensão pulmonar, dispneia, dor torácica, dores abdominais e fadiga independente da anemia.
A HPN é resultado da expansão clonal, na medula óssea, de células-tronco hematopoiéticas que apresentam mutações somáticas no gene fosfatidilinositol glicano classe A (PIG-A), ligado ao cromossomo X, levando a uma deficiência em proteínas ancoradas pelo glicosilfosfatidilinositol (PA-GPI), CD55 e CD59, que regulam a atividade do complemento na superfície celular. A deficiência ou a falta dos PA-GPI nas células sanguíneas leva à ativação do complemento e hemólise descontroladas. O tamanho do clone (quantidade de células sem expressão de PA-GPI) parece ter pouca influência sobre o nível ou o tipo das complicações que os pacientes individuais apresentam.
A citometria de fluxo com leucócitos e hemácias é o método diagnóstico de escolha, e devem ser pesquisados pacientes dos grupos de risco: falências medulares (anemia aplástica e mielodisplasia), anemia hemolítica coombs negativo, citopenia e trombose sem explicação, hemoglobinúria e os fatores prognósticos podem ser úteis no direcionamento das estratégias de controle.
Até recentemente, a HPN era inadequadamente controlada por meio de tratamentos de suporte e paliativos (transfusões e uso de anticoagulantes), mas esses tratamentos não eram efi cientes, como demonstrado pela mortalidade de 30% a 50% dos pacientes 10 anos após o diagnóstico. O transplante de medula óssea e a terapia imunossupressora são considerados opções em alguns pacientes com disfunção muito grave da medula óssea.
Uma nova abordagem é a administração de Eculizumabe, um inibidor do complemento terminal, que leva a uma inibição rápida e prolongada do complemento e da hemólise, medida por reduções significativas dos níveis de lactato desidrogenase (LDH) em uma semana e que é prolongada por oito anos de tratamento. Esta redução levou à melhora dramática da morbidade clínica e das complicações potencialmente fatais. A eficácia clínica e a segurança de Eculizumabe foram demonstradas em três estudos principais com 195 pacientes com HPN e em seus prolongamentos, e em outros estudos.
Portanto, a HPN é uma doença insidiosa e potencialmente fatal e as estratégias de bloqueio do complemento abrem uma perspectiva nova no manejo dos pacientes portadores de tão grave enfermidade.